[Resenha] Reconstruindo Amelia - Kimberly McCreight

16 de nov de 2014
Reconstruindo Amelia - Kimberly McCreight
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580412857
Ano: 2014
Páginas: 352
Classificação: 
Página do livro no Skoob / Compre!

Kate Baron, uma bem-sucedida advo­gada, está no meio de uma das reuniões mais importantes de sua carreira quando recebe um telefonema. Sua filha, Amelia, foi suspensa por três dias do Grace Hall, o exclusivo colégio particular onde estuda. Como isso foi acontecer? O que sua sensata e inteligente filha de 15 anos poderia ter feito de errado para merecer a punição? Sua incredulidade, no entanto, vai aos poucos se transformando em pavor ao deparar, no caminho para o colégio, com um carro de bombeiros, uma dúzia de policiais e uma ambulância com as luzes desligadas e portas fechadas. Amelia está morta.
Resenha:
As chances dessa história se tornar uma surpresa para qualquer leitor são quase certas. Garantidas. Iniciei a leitura certo de que encontraria um típico livro policial mas me deparei com algo melhor. Algo pessoal, eu diria. Apesar de haver, sim, uma linha de investigação que guia a trama, Reconstruindo Amelia é um daqueles livros juvenis que tiram o nosso fôlego por diversos motivos.

A brilhante Amelia Baron aparentemente se suicidou e deixou para trás uma mãe que se sente culpada pelo ocorrido. Uma Kate inconsolável e perdida. Confesso que os primeiros capítulos do livro são quase sonolentos. A escrita é arrastada, chata mesmo. É muita introdução. A história ganha ritmo quando Kate recebe uma mensagem de texto anônima afirmando que sua filha não teria pulado do prédio mais alto da escola em que estudava. Quando a conclusão obtida pela polícia, de que Amelia teria, sim, tirado a própria vida, se mostra equivocada. Kate resolve ir a fundo e reabrir o caso. Descobrir o que realmente acontecera no telhado de Grace Hall semanas atrás. Com a ajuda de um detetive, Kate começa uma nova investigação por um ângulo diferente. Mensagens de texto, redes sociais e interrogatórios. O que eles descobrirão sobre Amelia será devastador. Uma Amelia desconhecida se revelará, com segredos que Kate jamais imaginou que a filha teria.

Kate é uma mãe solteira e advogada bem sucedida. Ela tenta ao máximo estar presente na vida da filha mas não é sempre que obtém sucesso nessa tarefa. Quando Amelia morre, o arrependimento a atinge em cheio. O que ela poderia ter feito de diferente? Para começar, ela deveria ter dito a filha a verdade. Amelia nunca soube quem era seu pai. Esse é um dos segredos que nos acompanham até o desfecho.

Com uma narrativa intercalada entre Amelia e Kate, o enrendo possui, também, elementos que tornam-no algo dinâmico. SMSs trocados por Amelia e Ben, um amigo virtual que se diz gay, status da garota no Facebook, vagos e cheio de significados, e posts de um blog maldoso, que revela segredos sobre tudo e todos de Grace Hall, estão presente no término de alguns capítulos. Os momentos narrados em primeira pessoa por Amelia são brilhantes. Tão bem escritos que cheguei a esquecer que ela estava morta em incontáveis momentos. Tive que me controlar para não pular os capítulos narrados em terceira pessoa por Kate.

Em Grace Hall, uma extinta tradição está retornando aos poucos. Os clubes. Proibidos devido a um incidente fatal, as fraternidades sempre causaram problemas. Amelia e sua melhor amiga Sylvia fizeram um pacto para que nunca aceitassem fazer parte de algo assim. Mas quando Amelia é convidada para integrar o clube das Magpies, sentimentos vão à balança e ela acaba se tornando uma maggie.

Sylvia é cruel. Sem papas na língua e com fama de vadia. Cada garoto é visto como o homem da vida dela e Amelia é sempre a responsável por juntar os pedaços da amiga a cada término repentino. A verdade é que Amelia, ao adentrar a fraternidade composta apenas por garotas, não imaginava que acabaria se apaixonando. Ela só queria pertencer a algum lugar. E acabara ganhando um propósito maior para aceitar passar pelos estágios iniciais. Provas que ela deveria cumprir para se mostrar merecedora de estar ali, entre as maggies.

A curiosidade move as páginas e define o ritmo de leitura. Rápido. A cada pista que Kate descobre o sentimo de angustia aumenta. Quem é Ben? Amelia teria se suicidado mesmo? E-mails trocados com o diretor e fotos sensuais em um fórum da internet colocam mais lenha na fogueira. Bilhetes e mensagens de texto anônimas se tornam frequentes para Kate. O desfecho não chega a ser tão surpreendente, um leitor atento consegue captar algo e deduzir explicações. O que realmente é inovador é a forma como personagens sem destaque ganham importância no final.

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