[Resenha] Mentirosos - E. Lockhart

20 de out de 2014
Mentirosos - E. Lockhart
Editora: Seguinte
ISBN: 9788565765480
Ano: 2014
Páginas: 272
Classificação: 
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Cadence vem de uma família rica, chefiada por um patriarca que possui uma ilha particular no Cabo Cod, onde a família toda passa o verão. Cadence, seus primos Johnny e Mirren e o amigo Gat (os quatro "Mentirosos") são inseparáveis desde os oito anos. Durante o verão de seus quinze anos, porém, Cadence sofre um misterioso acidente. Ela passa os próximos dois anos em um período conturbado, com amnésia, fortes dores de cabeça e muitos analgésicos, tentando juntar as lembranças sobre o que aconteceu.

 Resenha:
Nunca em toda a minha vida havia lido um livro duas vezes. "Mentirosos" veio para riscar esse nunca da minha existência. Não só reli o livro, como reli assim que o terminei de ler pela primeira vez. Se já considerava E. Lockhart dona de uma narrativa viciante por causa de O Histórico Infame de Frankie Landau-Banks, esse livro veio para fixá-la de vez como uma autora para apenas e somente esperar por obras grandiosas. Tive o maior cuidado em não revelar nada que fosse capaz de interferir nas leituras de vocês. Há surpresas e particularidades que não podem ser explicadas ou citadas aqui. Emoções e impactos que só funcionam no processo "você + livro".

A família Sinclair é antiga, nobre e tradicional. A cada verão eles se reúnem numa ilha particular afastada do mundo: Beenchwood. Eles são loiros, brancos e dos olhos claros. São podres de ricos, aparentemente perfeitos e não aceitam um não como resposta. Nunca. Ninguém é criminoso, viciado ou um fracasso na família Sinclair. Eles sorriem acima de tudo, não erram e sacam forte no tênis. Captaram o espírito?

Candance Sinclair é nossa protagonista. Ela sofreu um acidente no verão em que tinha quinze anos e desde então sofre de amnésia e fortes enxaquecas. Candance não lembra o que aconteceu antes e nem depois do acidente. Da primeira a última página, todas as mentiras e verdades que são contadas são voltadas para uma única questão: o que realmente aconteceu naquele verão? Todos estão cansados de respondê-la, já que Candance nunca se lembra no dia seguinte. Ela precisa descobrir sozinha e da forma mais dolorosa possível.

Personagens apaixonantes, profundos e bem construídos. Os Mentirosos são fantásticos. Johnny é estalo, iniciativa e sarcasmo. Mirren é açúcar, curiosidade e chuva. Gat é contemplação e entusiasmo. Ambição e café forte. Candance era a personificação de uma perfeita Sinclair até pintar o cabelo de preto e passar a doar todas as suas coisas. De forma natural e inexplicável, os quatro não mantém contato algum quando estão fora da ilha. Como se aquela amizade só existisse enquanto estão juntos naquele mundinho mágico e particular dos Sinclair.

A narrativa é dividida em quatro momentos, todos narrados em primeira pessoa por Candance. Acompanhamos as lembranças que ela ainda mantém desde o verão mais antigo do qual se recorda até o exato momento em que as memórias retornam como um soco. Dá pra imaginar as possibilidades que um verão nos permite, não é mesmo? Agora imaginem vários verões em um único livro... Escândalos, brigas, divórcios, lágrimas e mortes também acompanham os Mentirosos. Suas famílias divergem e possuem interesses próprios. Há uma herança em jogo. Dinheiro, casas, carros, uma ilha. Quem vai ficar com a casa de Boston? Quem vai reformar a casa primeiro? O que é justo? O desfecho é aterrorizante, cruel e inesperado. Menos de 300 páginas foram mais que suficientes para E. Lockhart tecer uma trama super elaborada e queimá-la sem dó algum nos últimos capítulos. Incrível.

De longe a escrita é o aspecto mais apaixonante da obra. Eu amo quem escreve com frases curtas, abusando de pontos que dão uma densidade a narração. Como se em uma única ideia coubessem tantas sensações que cada uma delas precisasse de um espaço só seu. Para existir. Para respirar. As metáforas presentes na obra são inseridas de uma forma tão natural que geram certo espanto. De repente alguém leva um tiro no peito durante o jantar, ou começa a sangrar pelas veias que se abrem durante uma discussão.

Perda de memória, perde de identidade, perda de sentidos. Perdas. Candence deve viver o hoje, fazer o que teme. Porque ela pode, porque ela é uma Sinclair. O que acontece quando uma Sinclair resolve brincar de Deus?

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