[Resenha] Insurgente - Veronica Roth

20 de mar de 2014
Insurgente - Veronica Roth
Editora: Rocco
ISBN: 9788579801556
Ano: 2013
Páginas: 512
Classificação: 
Página do livro no Skoob

Na Chicago futurista criada por Veronica Roth em Divergente, as facções estão desmoronando. E Beatrice Prior tem que arcar com as consequências de suas escolhas. Em Insurgente, a jovem Tris tenta salvar aqueles que ama - e a própria vida – enquanto lida com questões como mágoa e perdão, identidade e lealdade, política e amor.


 Resenha:
Querido leitor, antes de ler os parágrafos seguintes te aconselho a dar uma olhada na resenha do livro anterior, Divergente. Assim você não fica perdido, certo? Farei uma resenha sem spoilers de Insurgente porém estou fadado a comentar pontos do primeiro livro, é inevitável.

Partindo exatamente do momento em que Divergente teve seu desfecho, Insurgente inicia-se em um ritmo que é mantido de início ao fim: frenético e viciante. A Abnegação foi atacada e não existe mais, a guerra travada trouxe consequências a sociedade, trouxe mortes e destruição. Instalou o caos. A Erudição, a facção inimiga comandada por Jeanine Matthews, agora tem em mãos uma informação secreta que será o foco principal de toda a estória. A sede da Audácia não é mais segura, devido a quantidade câmeras fácil de serem manipuladas pela Erudição, Tris, Tobias e o restante dos membros sobreviventes estão em busca de refúgio. Aqui está um dos pontos mais dinâmicos e interessantes da trama. Os capítulos passeiam pelas facções saciando nossas curiosidades a respeito de todas elas, vamos conhecer a fundo o modo de vida da Amizade, da Franqueza, da Erudição e mais ainda da Audácia. O contraste entre todas fica evidentes em diversos momentos e tudo isso deixa a narrativa impossível de largar. Simulações e mortes continuam acontecendo e de forma mais gritante. Os Divergentes estão sendo perseguidos e a Erudição não está para brincadeiras.

Uma série de mudanças deixa o enrendo mais maduro, ou não, e isso se dá pelos próprios personagens. Tris após os acontecimentos anteriores está abalada emocionalmente por ter cometido um assassinato, mesmo que tenha sido em legítima defesa. Ela perdeu um amigo e o juízo. Sua vida passa a não ter valor e os riscos a que ela submete-se chegam a ser bizarros de tão inconsequentes que são. Sua coragem tão louvável está sendo aplicada da forma mais errada possível. A culpa está a corroendo, sua confiança foi destroçada e seu relacionamento com Tobias entra em conflito. Posso confessar que esses conflitos foram vistos por mim como algo positivo? O relacionamento dos dois passa por altos e baixos durante o livro todo, é irritante, é gostoso de acompanhar e deu um tom de realismo ao romance. De amadurecimento.

Tobias parece perdido em meio a toda essa loucura de caça aos Divergentes e sobrevivência, seu pai, Marcus, é o único que sabe a informação roubada e possível motivo de toda a guerra, Tris parece ser a única a acreditar nisso. Nem preciso comentar o quanto Tobias e Marcus não se dão bem, certo? Há vingança e mágoas. Partindo do pressuposto que seus pais não teriam morrido por algo sem importância mesmo sendo da Abnegação, Tris dá um passo temeroso rumo ao desfecho, um sacrifício, um fardo, uma batalha. Os conflitos familiares rendem boas reviravoltas durante os capítulos, preparem-se para choques emocionais. Outra novidade é o espaço aberto aos sem-facção na trama, eles parecem dispostos a ajudar os Divergentes, eles acreditam numa sociedade igualitária isenta de facções. É seguro confiar em alguém?

Mas não há plano algum. Não há como escapar das profundezas da sede da Erudição, não há como escapar de Jeanine e não há mais como escapar do que eu fiz.

Uma infinidade de perigos permeiam as páginas desse livro, muito sangue será derramado e a autora não tem dó de sacrificar personagens, quem leu Divergente conheceu essa faceta maravilhosa e aconselho a começar Insurgente com o coração na mão, bem apertado. A narrativa é feita em primeira pessoa pela Tris e o desfecho é daqueles que é necessário reler várias vezes até conseguir assimilar, sabe? Toda a situação envolve muito mais que as facções, muito mais que a cidade. Eu preciso ler Convergente.

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