Em algum lugar da Vila Madalena, esperando um ônibus que me leve até minha casa temporária nessas férias, reparo numa senhorinha rindo de orelha a orelha.
Ela olha pra mim, arruma a sacola de fruta que carrega no colo, olha pro horizonte, pra mim e ri.
Imagino que ela seja biruta ou que esteja lembrando de algo feliz, nada a ver comigo e tal.
Nada do bendito 7272.
Mas daí nossos olhares se encontram.
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Quando trocam o X por CH
- Você sabe que eu acho você super inteligente, né? Sério mesmo. Mó daora, mas você troca muito X por CH.
É o que escuto de uma moça, sentada numa mesa atrás de mim num point cool qualquer da Rua Augusta, às 23h55. Não me contenho e me viro. Quero construir esse momento nos mínimos detalhes.
É o que escuto de uma moça, sentada numa mesa atrás de mim num point cool qualquer da Rua Augusta, às 23h55. Não me contenho e me viro. Quero construir esse momento nos mínimos detalhes.
Quando os dias são lindos
Tantos ônibus às 6h, às 12h, às 18h.
Tanto pessimismo, sorte e correria.
Tantos afazeres e horários e cochilos.
Tantos textos escritos pelo ofício, pensamentos automáticos de rotina e eu tentando não assustar você com minhas certezas prematuras. Se eu tivesse mais tempo te escreveria mais, como não tenho só penso. E penso o tempo inteiro. Penso e quero e planejo, mas aceito que há tempo pra tudo. Meu tempo preferido é com tu.
Não cabe em uma foto não postada e muito menos na que recebeu centenas de curtidas. Não cabe nas declarações diárias, nas despedidas doídas e nos retornos mais que aguardados. Amor não cabe quando dito em bilhete curto ou em textão de rede social. Amor não cabe em lugar nenhum porque está em todo lugar. Está em mim quando acordo e vou dormir. Está em mim quando eu respiro e vejo você respirar comigo, do meu lado. Acordado ou dormindo.
Tanto pessimismo, sorte e correria.
Tantos afazeres e horários e cochilos.
Tantos textos escritos pelo ofício, pensamentos automáticos de rotina e eu tentando não assustar você com minhas certezas prematuras. Se eu tivesse mais tempo te escreveria mais, como não tenho só penso. E penso o tempo inteiro. Penso e quero e planejo, mas aceito que há tempo pra tudo. Meu tempo preferido é com tu.
Não cabe em uma foto não postada e muito menos na que recebeu centenas de curtidas. Não cabe nas declarações diárias, nas despedidas doídas e nos retornos mais que aguardados. Amor não cabe quando dito em bilhete curto ou em textão de rede social. Amor não cabe em lugar nenhum porque está em todo lugar. Está em mim quando acordo e vou dormir. Está em mim quando eu respiro e vejo você respirar comigo, do meu lado. Acordado ou dormindo.
Quando as estatísticas são desnecessariamente ruins
Seis bilhões de pessoas no mundo inteiro e eu. Observando tudo. Absorvendo boa parte do que vejo. Não vejo um bilhão, nem seis, mas vejo algumas centenas e elas me assustam.
Ela vestia uma farda cheia de bolinhas, dessas que empelotam o tecido quando ele já está velho. O coque estava firma no alto da cabeça, destoando do resto de sua aparência, nada impressionante às seis horas da noite. Ela era mais uma pessoa voltando para casa depois de um dia de trabalho. Não posso nomeá-la e nem quero, mas posso imaginar o que a caixa gigante que ela ostentava próximo as pernas significava.
Era um microondas de pequeno porte. Desses que não custam menos que R$ 300 e salvam nosso dia a dia de marmita e comida requentada. Ela carregava também algumas linhas de expressão no rosto suado. Linhas onde pude ler algo como "o dia foi longo, a vida tem sido difícil, mas eu volto hoje para casa com algo que conquistei sozinha". Se não sozinha com o apoio de pessoas que a amam. Ela me pareceu ser alguém digna de amor. E quem não, é, certo?
Ela vestia uma farda cheia de bolinhas, dessas que empelotam o tecido quando ele já está velho. O coque estava firma no alto da cabeça, destoando do resto de sua aparência, nada impressionante às seis horas da noite. Ela era mais uma pessoa voltando para casa depois de um dia de trabalho. Não posso nomeá-la e nem quero, mas posso imaginar o que a caixa gigante que ela ostentava próximo as pernas significava.
Era um microondas de pequeno porte. Desses que não custam menos que R$ 300 e salvam nosso dia a dia de marmita e comida requentada. Ela carregava também algumas linhas de expressão no rosto suado. Linhas onde pude ler algo como "o dia foi longo, a vida tem sido difícil, mas eu volto hoje para casa com algo que conquistei sozinha". Se não sozinha com o apoio de pessoas que a amam. Ela me pareceu ser alguém digna de amor. E quem não, é, certo?
Quando se troca nudes em público
É inevitável flagrar algumas conversas de Whatsapp enquanto você está em pé no transporte público. Já disse da vez em que fui obrigado a acompanhar duas moças trocando nudes masculinas alheias enquanto rezava por um acento vazio e distante delas duas? Prefiro não me aprofundar, mas elas não só enviavam uma para outra como também discutiam aspectos físicos tipo tamanho e tonalidades.
Uma feira.
Desconstruídas e livres.
Não posso julgar.
Achei sensacional.
Era um banco de imagens real.
Quase um Getty Images +18.
Semana passada presenciei outro causo peculiar. Dessa vez apenas triste.
Uma feira.
Desconstruídas e livres.
Não posso julgar.
Achei sensacional.
Era um banco de imagens real.
Quase um Getty Images +18.
Semana passada presenciei outro causo peculiar. Dessa vez apenas triste.
Quando de olhos fechados...
Deitou ao meu lado e respirou fundo
Meio atordoado
Procurando um rumo
Procurando um rumo
Ainda de soslaio, ele me olhou de perto
E eu achei tão
Certo
Vê-lo suar em mim
Certo
Vê-lo suar em mim
Quando apita os 45 do segundo tempo
Era um dia de sol, desses que a gente olha para as árvores e enxerga uma dança. Um balanço que te convida pra perto. Era um dia em que respirar não doía, não pesava, não exigia. Era um dia bonito. Eu lembro da sensação de estar correndo, chutando uma bola. Levantando a poeira do chão de barro batido. A posse da bola era minha e havia dois times atrás. O que eu fazia parte e o adversário. Aquele era o meu momento. Eu tinha nove anos e nas costas algo a provar. Não por querer, mas necessidade. Chutei a bola, mas o goleiro agarrou. Não fiz gol, nem história. Eu lembro do tempo parar, dos gritos cessarem e do professor de educação física rir incrédulo do que tinha acabado de acontecer.
Eu havia perdido ou eu havia conquistado alguma coisa no final das contas?
Eu havia perdido ou eu havia conquistado alguma coisa no final das contas?
Quando Witney Houston vira forró
Consegui driblar seis pessoas ainda nos degraus de entrada do ônibus. Passei a catraca, facilmente confundida com um paredão anti-fuga da Al Khaeda e sentei. Numa olhada geral contei mais quatro assentos vagos. Até o meu destino final, pelo menos umas 70 pessoas iam fazer esse mesmo percurso e seguir a viagem a pé. Menção honrosa aos cabras que, desafiando leis pré-definidas pela física, bilogia e o próprio Jack Chan, pularam a catraca de três metros de altura. Elasticidade, eu diria. Quis aplaudir, mas poderia ser um assalto. Melhor não chamar atenção.
Fecho os olhos e tento cochilar. Ventinho bom no rosto... É que sentei perto da janela. A playlist está topada, já decorei a música nova da minha banda favorita e minha mochila é a melhor tradução para "quentinho gostoso". É que estou abraçado nela e quase deitado no espaço mínimo que paguei pelos consideráveis R$ 3,50. Sério que aceitamos um aumento de passagem sem protestar na Centenário? Da última vez que a juventude alagoana foi às ruas eu lembro bem de ter entoado canções do Legião Urbana por todo o centro de Maceió. Foi inebriante. Até conseguimos adiar aqueles terríveis R$ 0,20 centavos.
Abstraio a situação politico-econômica do país e penso no agora. Situação mais que favorável para uma imersão nos vales profundos do cochilo de lei, até que um carro de som invade pela porta dos fundos.
Fecho os olhos e tento cochilar. Ventinho bom no rosto... É que sentei perto da janela. A playlist está topada, já decorei a música nova da minha banda favorita e minha mochila é a melhor tradução para "quentinho gostoso". É que estou abraçado nela e quase deitado no espaço mínimo que paguei pelos consideráveis R$ 3,50. Sério que aceitamos um aumento de passagem sem protestar na Centenário? Da última vez que a juventude alagoana foi às ruas eu lembro bem de ter entoado canções do Legião Urbana por todo o centro de Maceió. Foi inebriante. Até conseguimos adiar aqueles terríveis R$ 0,20 centavos.
Abstraio a situação politico-econômica do país e penso no agora. Situação mais que favorável para uma imersão nos vales profundos do cochilo de lei, até que um carro de som invade pela porta dos fundos.
Quando basta se bastar
Eu torço pra que todo mundo encontre alguém com quem possa dividir os mesmos sonhos na vida, mas também espero que a gente seja capaz de entender que um sonho não é menos bonito quando é vivido sozinho.
Tem sonho que é pra ser vivido sozinho.
Tem sonho que é maior que duas pessoas, que um estádio lotado, que a extensão de uma avenida em horário de pico.
Tem sonho que é do nosso tamanho e basta.
O tamanho que ele tem equivale a importância que se dá.
E basta sonhar. Basta se bastar.
Tem sonho que é pra ser vivido sozinho.
Tem sonho que é maior que duas pessoas, que um estádio lotado, que a extensão de uma avenida em horário de pico.
Tem sonho que é do nosso tamanho e basta.
O tamanho que ele tem equivale a importância que se dá.
E basta sonhar. Basta se bastar.
Quando transbordei a noite inteira
- Aninha. Amor tem validade?
Foi o que eu perguntei à motorista do Uber às quase 7 da manhã, um tanto que alcoolizado no banco de trás do carro. Moro longe, sabe como é, fui o último a ser deixado em casa. Acho que Aninha já não aguentava a minha companhia.
"Eu acho que tem", foi o que ela me disse com a voz baixa, disferindo um olhar meio envergonhado pelo retrovisor. No fundo ela sabia onde eu queria chegar. E nem era em casa. O que eu não disse pairava no ar. A resposta dela me deixou sem jeito. Meio preocupado, receoso. Meio bêbado com o copo vazio. Eu transbordei a noite toda.
Foi o que eu perguntei à motorista do Uber às quase 7 da manhã, um tanto que alcoolizado no banco de trás do carro. Moro longe, sabe como é, fui o último a ser deixado em casa. Acho que Aninha já não aguentava a minha companhia.
"Eu acho que tem", foi o que ela me disse com a voz baixa, disferindo um olhar meio envergonhado pelo retrovisor. No fundo ela sabia onde eu queria chegar. E nem era em casa. O que eu não disse pairava no ar. A resposta dela me deixou sem jeito. Meio preocupado, receoso. Meio bêbado com o copo vazio. Eu transbordei a noite toda.
Mais uma vez
Mais uma vez eu te vi de perto e achei que foi certo ser apenas eu mesmo
Mesmo tendo provas concretas, opiniões bem sinceras de que o suficiente pode ser passageiro
Um mundo inteiro
E ainda assim não ser um lar
É que meu sorriso e cheiro nunca te fez por inteiro
Nunca me fez por completo alguém possível pra ti
Mesmo tendo provas concretas, opiniões bem sinceras de que o suficiente pode ser passageiro
Um mundo inteiro
E ainda assim não ser um lar
É que meu sorriso e cheiro nunca te fez por inteiro
Nunca me fez por completo alguém possível pra ti
Quando fiz uma tatuagem de marinheiro
Dói. Dói como tantas outras coisas na vida, mas é diferente. É uma dor que você escolheu sentir. Não é sobre um problema, perda ou situação difícil que se enfrenta, é mais sobre liberdade. É você riscando no corpo, seu próprio corpo, algo que significa muito para você ou algo que, depois de tatuado, vai ter um sentido especial por fazer parte de quem você é. Você, você, você. Não consigo escrever sobre isso sem soar individualista. E quando penso em marcas que carrego comigo lembro de duas passagens da minha infância. Lá vou eu voltar ao passado outra vez. Ele que me ensina tanto sempre que preciso usá-lo.
"Rô, vai na cozinha buscar uma colher", pediu minha mãe, num dia de semana que não lembro qual em meados dos anos 1990. Rô, de Rodolfo, porque meu nome é Rodolfo Felipe, bem no estilo composto de protagonista de novela mexicana mesmo. Talvez essa informação dê a carga de drama que eu precisaria impor aqui porque não tenho detalhes suficientes para isso. A próxima lembrança que me vem desse momento sou eu estendido no chão depois de voltar correndo da cozinha e me estabacar na quina de uma parede. Sangue, sangue, sangue. Para todos os lados.
Quando estar presente não é físico
É muito bonito defender a ideia de que precisamos dedicar um pouquinho mais do nosso tempo a todos que amamos, mas, meus caros, está cada vez mais difícil administrar isso. Não que eu ame meio mundo de gente. Longe disso. Sou acessível, mas bem cricri com questões de entrega e troca. Mas é que o mundo está cada vez mais cheio de regras de habitação. Não sei onde aceitei esses termos. Tenho certeza que não li nada sobre. Eu durmo mais no transporte público que na minha cama. Como posso me encaixar na vida de todo mundo que tenho apreço?
Digo isso no sentido de existir em todos os espaços e lares que a gente acaba fazendo parte. Alguém consegue? Sem nenhum déficit? Estar presente é quase um cálculo matemático. Como descobrir cosseno e tangente. Um dia eu soube fazer, mas hoje preciso que me lembrem. Não é minha culpa. Apelo, quase sempre, para a regra de três. Sempre me salvou. Acho que deveriam inventar algo do tipo, mas aplicável aos relacionamentos.
Quando o coração faz tum tum tum de Timbalada
Outro dia li em algum lugar que toda vez que a gente recorda algo, estamos, na verdade, lembrando da última vez em que estivemos pensando naquilo. Como se a cada vez que voltássemos ao passado estivéssemos o apagando aos pouquinhos até não termos mais certeza de nada. Quando eu lembro de uma praia especial regada a breja com os amigos, estou lembrando da última vez em que lembrei da breja com os amigos na praia. E sim, essa explicação está confusa, mas nada comparado ao meu cérebro fazendo cálculos sobre a seriedade dessa informação.
É o mesmo que dizer que nunca, jamais, em hipótese alguma iremos sentir, mesmo que em pensamento, uma determinada sensação outra vez. Ela pode se repetir, claro, mas não vai ser a mesma coisa porque tudo que a gente enfrenta vira história. Não vai ser o mesmo ímpeto de coragem nem a mesma dorzinha de tristeza. O meu impulso depende do que me espera ali na esquina e estou sempre redescobrindo o que me põe para baixo, o que me faz voltar algumas casas. Já parou pra fazer as contas de quanta coisa já não te afeta mais? A idade simplesmente projeta num telão o que vai ser prioridade daqui a pouco. Tem medo que perde o sentido.
É o mesmo que dizer que nunca, jamais, em hipótese alguma iremos sentir, mesmo que em pensamento, uma determinada sensação outra vez. Ela pode se repetir, claro, mas não vai ser a mesma coisa porque tudo que a gente enfrenta vira história. Não vai ser o mesmo ímpeto de coragem nem a mesma dorzinha de tristeza. O meu impulso depende do que me espera ali na esquina e estou sempre redescobrindo o que me põe para baixo, o que me faz voltar algumas casas. Já parou pra fazer as contas de quanta coisa já não te afeta mais? A idade simplesmente projeta num telão o que vai ser prioridade daqui a pouco. Tem medo que perde o sentido.
Quando vejo timing e sorte numa sexta-feira 13
O transporte público não é o meu cenário predileto para contos de fadas, mas hoje eu vi algo muito bonito acontecer dentro dele. Eu vi timing e sorte atuando de uma forma brilhante. Havia mais pessoas em pé do que sentadas, como de costume, alguma canção sertaneja pouco conhecida tocando na rádio e o sol das 8h já queimava. Me queimava, inclusive, mas em dois seres humanos em especial os raios de sol causavam um efeito diferente. Dava brilho a algo que estava prestes a acontecer. Uma espécie de presságio.
Ela encostada na janela, mochila na frente do corpo, lia um livro. Ele de óculos escuros, mochila nas costas, mexia no celular. Ambos em pé. Desconhecidos compartilhando o mesmo espaço e mormaço. Mas aí gente, veio a sorte. A sorte dela ler um livro que ele adora. Que já leu e tem muito a falar sobre. Da cadeira alta em que eu estava sentado, segurando três bolsas por educação e curtindo algo que simplesmente não lembro o que era nos fones de ouvido, tive a visão privilegiada de um primeiro passo certeiro. O bendito timing.
Ela encostada na janela, mochila na frente do corpo, lia um livro. Ele de óculos escuros, mochila nas costas, mexia no celular. Ambos em pé. Desconhecidos compartilhando o mesmo espaço e mormaço. Mas aí gente, veio a sorte. A sorte dela ler um livro que ele adora. Que já leu e tem muito a falar sobre. Da cadeira alta em que eu estava sentado, segurando três bolsas por educação e curtindo algo que simplesmente não lembro o que era nos fones de ouvido, tive a visão privilegiada de um primeiro passo certeiro. O bendito timing.
QUANDO É HALLOWEEN DENTRO DA GENTE
Foi minha avó quem me incentivou a escrever. Quando eu era criança meus presentes prediletos não eram os carrinhos que eu ganhava, muito menos as bonecas da minha irmã que eu brincava escondido. Lápis e papel sempre foram meus tesouros. Nada me dava mais prazer que sentir o cheirinho de papel novo, um gosto estranho que culminou na minha paixão pela leitura e nesse blog que cultivo há mais de 6 anos. Minha avó pedia para eu escrever sobre mim. Ela nunca quis que eu inventasse histórias ou personagens. E hoje quando paro e penso nisso um sentimento de gratidão me invade porque foi escrevendo sobre mim que eu me entendi por completo e tão cedo. Não tem nada mais gostoso que se conhecer. Te faz forte. Te prepara para um mundo onde todos acham que conhecem alguém por seguir esse alguém em redes sociais. Te prepara para um mundo onde preconceito se disfarça de opinião e ter uma virou modinha.
QUANDO VI ALGUÉM QUASE MORRER
A crise dos vinte e tantos anos é uma lástima. Nessa semana mesmo me vi desesperançoso. Angustiado é a palavra certa. Depois de um dia daqueles, deitei na cama e me senti um lixo. Olhei para o tanto de livros que acumulo no quarto e imaginei como a minha existência seria diferente se cada um deles representasse um curso extra no meu currículo, um país visitado no passaporte que nem tenho ainda ou até mesmo dez reais na minha carteira. A ideia de que a vida poderia ser melhor ou diferente do que ela é atualmente me deixa maluco. Essa ideia de que uma escolha mal feita agora pode significar nossa ruína lá na frente é tão assustadora quanto o fato de eu não saber nadar e sempre sonhar me afogando.
QUANDO EU ERA UM POWER RANGER
Aos 8 anos de idade eu andava de mãos dadas com meu melhor amigo da escola e achava isso a coisa mais legal de todas. Éramos dois super-heróis mais que prontos para enfrentar o mundo. Uma versão bem diferente desse mundo em que vivo hoje, mas ainda assim gigante. Eu não tinha ideia de quanta coisa vinha pela frente, se não teria me poupado um pouco. Sempre fui de pensar demais. Eu sempre estava lá na frente me preparando para a guerra. Para o pior. Agora vejo que não adianta ser tão pessimista, nem brigar para ser o ranger vermelho toda santa vez. As coisas podem ser cem vezes mais difíceis assim ou estupidamente mais fáceis. Leves. A gente não conhece de verdade quem segura a nossa mão. Porque a maior guerra de todas não se passa aqui fora. É dentro da nossa cabeça, no fundo do coração que a gente se destrói, esquece e direciona esforços para o errado. A nossa parte a gente faz. Faz direitinho. E tem que ser assim mesmo. No fim das contas quem decide é o outro. Eu já devia ter aprendido.
QUANDO FIZ UM ENSAIO NU
Eu lembro como se fosse ontem o dia em que cheguei na escola, época de ensino fundamental ainda, e recebi a notícia de que meu melhor amigo havia sido morto. E não tem sensação mais aterrorizante do que essa: a de você não saber o que fazer. Literalmente. Não é como esquecer o aniversário de alguém querido ou ser assaltado mais uma vez. Não é algo que te deixe sem chão por um tempo e depois passe. É algo que marca você para sempre. Você perdeu. E perder ainda é uma droga. Não há otimismo aqui. Foi uma bala perdida que o levou e até hoje eu imagino como minha vida seria se ele ainda fosse alguém que eu tivesse aqui comigo. É tão assustador parar e pensar no tanto de coisa que poderia ser diferente se alguém sumisse ou nunca tivesse existido em toda a sua caminhada até aqui. Em toda a minha caminhada até esses 22 anos de meu deus.
QUANDO SÓ DEPENDE DE MIM
Ontem fui ver Marcelo Jeneci no Teatro Deodoro, aqui em Maceió. Foi o primeiro show que fui sozinho em toda a minha vida. Eu realmente cheguei a cogitar não ir por falta de companhia, mas me lembrei de algo que me cobro desde que me sinto um tanto que mais independente: ser de fato independente. Pelo menos em alguns aspectos.
Tenho grande admiração por quem consegue fazer as coisas sozinho. De verdade. Parabéns pra quem consegue ir ao cinema desacompanhado assistir aquele filme que ninguém mais quer ver, parabéns pra quem consegue fazer compras sem precisar de uma segunda opinião, parabéns pra quem vai a excursões sozinho por se amarrar numa aventura e não ter amigos que topem encarar uma trilha. Mesmo que no final uma cachoeira o espere. Parabéns mesmo. Não é triste, é adulto. E ser adulto não precisa ter um sinônimo ruim. Eu ainda estou me acostumando com essa ideia, mas pensar positivo ainda é uma das melhores coisas que faço por mim mesmo. Tem coisa mais libertadora que não depender de ninguém pelo mínimo que seja?
Tenho grande admiração por quem consegue fazer as coisas sozinho. De verdade. Parabéns pra quem consegue ir ao cinema desacompanhado assistir aquele filme que ninguém mais quer ver, parabéns pra quem consegue fazer compras sem precisar de uma segunda opinião, parabéns pra quem vai a excursões sozinho por se amarrar numa aventura e não ter amigos que topem encarar uma trilha. Mesmo que no final uma cachoeira o espere. Parabéns mesmo. Não é triste, é adulto. E ser adulto não precisa ter um sinônimo ruim. Eu ainda estou me acostumando com essa ideia, mas pensar positivo ainda é uma das melhores coisas que faço por mim mesmo. Tem coisa mais libertadora que não depender de ninguém pelo mínimo que seja?
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Não sou bonitinho mas será que beijo bem? Passo o sabonete. Curso Comunicação Social na Universidade Federal de Alagoas e sou repórter no site Alagoas Boreal. Leitor compulsivo que gosta do novo e do bom. Não consigo ficar quieto.




Significado do verbo Cobiçar: Ter cobiça de. Desejar ardentemente. Ambicionar. Sabe aqueles livros que você se recusa a pegar emprestado? Que você deseja tê-lo na estante? Seu de verdade. Disponível sempre que você quiser olhar, tocar, cheirar (sim!) e lê-lo de novo? Na coluna Cobiçados você confere meus sonhos de consumo literários.