[Resenha] Psicose - Robert Bloch

13 de jul de 2016
[Resenha] Psicose - Robert Bloch
ISBN-10: 8566636104
Ano: 2013
Páginas: 256
Editora: DarkSide® Books
Classificação: 
Psicose, o clássico de Robert Bloch, foi publicado originalmente em 1959, livremente inspirado no caso do assassino de Wisconsin, Ed Gein.  O livro teve dois lançamentos no Brasil, em 1959 e 1964. São, portanto, quase 50 anos sem uma edição no país, sem que a maioria das novas gerações pudesse ler a obra original que Hitchcock adaptou para o cinema em 1960. A DarkSide orgulhosamente tem o prazer de reparar este lapso, em julho de 2013, com o lançamento de Psicose em versões brochura (classic edition) e capa dura, limited edition que incluirá um caderno especial com imagens do clássico de Hitchcock. Uma história curiosa envolvendo o livro é que Alfred Hitchcock adquiriu anonimamente os direitos de Psycho e depois comprou todas as cópias do livro disponíveis no mercado para que ninguém o lesse e, consequentemente, ele conseguisse manter a surpresa do final da obra.

Resenha: 
A primeira coisa que você precisa saber é: não leia sinopse alguma sobre esse livro caso você queira realmente ser surpreendido aqui. A sinopse que coloquei acima está editada, então fica tranquilo.

É uma dualidade que me incomoda o fato de algumas pessoas terem me indicado assistir a Psicose sem ter lido o livro. Mas, como há tempos adotei uma política de que não vejo adaptações literárias sem antes ter dado uma chance ao texto original, cá estou eu para dizer minhas impressões sobre a obra de Robert Bloch. Sei que estamos tratando de um clássico, mas admito que a única coisa que eu conhecia sobre essa história era a famosa cena do assassinato no chuveiro. Pesquisando sobre o filme, vi que Alfred Hitchcock mudou pouquíssimas coisas na versão para as telonas por julgar todo o enrendo perfeito demais. Pois bem, é mesmo.

O mais legal em ler clássicos antigos, e esse é datado de 1960, é perceber o quanto aquela história serviu de inspiração para outros autores. Quem costume ler suspense e terror vai entender o que eu tô falando. Foi maravilhoso estar dentro da mente de um psicopata, mesmo que por algumas centenas de páginas. O trabalho que o autor faz nesses poucos capítulos é capaz de deixar qualquer leitor confuso.

Mary Crane estava cansada da vida que levava. Seu trabalho tedioso só não era mais morno que o seu quase-casamento à distância. Ela não pensa duas vezes quando decide roubar 38 mil dólares do seu chefe e desaparecer. O plano era o de fugir para a casa do seu grande amor, ajudá-lo a pagar as contas e começar uma vida do zero com uns bons trocados na bolsa, mas veja bem, ela acaba pegando uma estrada errada e se vê obrigada a passar a noite numa espelunca beira de estrada: o Bates Motel. Aquele mesmo, da série de TV.

E é nesse hotel que Norman Bates vive com a mãe numa casa anexa à construção que sustenta a família. Mas Norman não é uma pessoa normal. Aos 40 anos de idade ele é superprotegido pela mãe, coleciona livros de canibalismo e psicologia e possui uma personalidade um tanto que reclusa, sombria e solitária. Quando Mary Crane se torna vítima de Norman Bates tudo começa a desmoronar. Tudo começa a afundar como um carro num pântano. E seu sumiço não passará despercebido pela irmã, o noivo e o chefe de Mary.

O gostoso aqui é ver o quão possível é se arrepiar sem recorrer ao sangue como atração. Claro que há mortes e cenas bizarras, mas o que prende o leitor é a forma como os personagens racionalizam brutalidades e ações insensatas para um fim aparentemente correto. Norman Bates é assustador. O desfecho da história traz um desconforto. Monstros são reais. Monstros não são de outro mundo, são de carne e osso. Psicose é um puta thriller psicológico. É também a prova de que uma boa história pode sim ser contada em poucas páginas.


Quando a edição em capa dura da Darkside Books: é linda. Completa o clima de tensão que acompanha toda a leitura. Possui ilustrações a cada capítulo, além de imagens do filme no final do livro.

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