[RESENHA] Nosferatu - Joe Hill

13 de mar de 2016
Nosferatu - Joe Hill
ISBN-10: 8580412978
Ano: 2014
Páginas: 624
Editora: Arqueiro
Classificação: 
Página do livro no Skoob
Victoria McQueen tem um misterioso dom: por meio de uma ponte no bosque perto de sua casa, ela consegue chegar de bicicleta a qualquer lugar no mundo e encontrar coisas perdidas. Vic mantém segredo sobre essa sua estranha capacidade, pois sabe que ninguém acreditaria. Ela própria não entende muito bem. Charles Talent Manx também tem um dom especial. Seu Rolls-Royce lhe permite levar crianças para passear por vias ocultas que conduzem a um tenebroso parque de diversões: a Terra do Natal. A viagem pela autoestrada da perversa imaginação de Charlie transforma seus preciosos passageiros, deixando-os tão aterrorizantes quanto seu aparente benfeitor. E chega então o dia em que Vic sai atrás de encrenca... e acaba encontrando Charlie. Mas isso faz muito tempo e Vic, a única criança que já conseguiu escapar, agora é uma adulta que tenta desesperadamente esquecer o que passou. Porém, Charlie Manx só vai descansar quando tiver conseguido se vingar. E ele está atrás de algo muito especial para Vic. 
Resenha:
Nosferatu foi lançado no ano passado e o procrastinei até agora por preconceito. Os comentários dizendo que o livro era uma reinvenção das histórias sobre vampiros me deixou com um pé atrás. Nunca fui fã da temática e encarar 614 páginas sobre isso não me animou por muito tempo. Porém, quando resolvi dar uma chance a obra me surpreendi positivamente e até agora não consigo enxergar o vampiro da história como um vampiro. É mais uma metáfora ou visão pessoal do leitor do que de fato uma caracterização certeira sobre o personagem.

Charles Manx é o tipo de pessoa que você deveria temer. Ele é um assassino em série e pedófilo famoso por sequestrar crianças que nunca mais voltaram a ser vistas. De tão louco ele criou uma realidade onde o Natal acontece todos os dias com tudo que faz do Natal uma época tão aconchegante. A questão é que esse lugar só existe em sua mente e para levar as crianças para lá ele precisa matá-las. Mas tudo bem, ele acha o esforço válido. Nada para ele é mais prazeroso que ver crianças-cadáveres brincando na neve ou sorrindo com o chocolate quente à beira da lareira. A infelicidade não existe nesse lugar. É proibida.

Há anos Manx se encontra em estado vegetativo numa maca de hospital. É de se esperar que ele não possa fazer mal a uma mosca sequer, certo? Errado. Manx acaba de morrer e fugir do hospital ao mesmo tempo. Pesaram seu coração, fizeram sua autópsia, mas o que os médicos e a polícia não sabem é que ele e seu ajudante maluco estão na estrada em um Rolls-Rayce rumo a Terra do Natal. Eles querem vingança e estão indo atrás da única criança que conseguiu escapar de Manx por ter os mesmos poderes que ele: o de viajar pelo tempo e espaço através da mente.

Victoria McQueen foi a única garota capaz de sair viva das garras de Manx. Isso acontecera anos atrás, num dia em que ele tocara fogo num homem em plena luz do dia e fora preso por isso. Agora ela é uma escritora bem-sucedida, mãe de um menino e quase-casada com um cara tão complicado quanto ela. Assim como Manx Victoria McQueen também possui a sua própria forma de viajar no espaço-tempo. Quando criança ela percorrera distâncias incalculáveis montada em sua bicicleta. Ela era capaz de encontrar qualquer coisa ao atravessar a ponte imaginária que criou em sua mente. Uma ponte que por muito tempo não apareceu, mas que agora está de volta para ajudá-la a sair inteira de uma perseguição mortal. Manx está de volta e quer levar o filho de Victoria para a Terra do Natal. As portas do inferno foram abertas.

São tantos elogios a serem feitos que não sei por onde começar. Eu senti medo de Manx e isso é algo que conta e muito numa história desse tipo. Tudo poderia soar besta, mas não é assim que parece. Manx tem 115 anos, está morto e seu Rolls-Rayce é seu veículo. Um carro como poucos ao redor do mundo e vivo. Vivo. Manx é o carro e o carro é Manx. Ninguém pode esconder nada dele estando ali dentro e os mundos ali presentes são vários. Cada criança que ele leva para a Terra do Natal devolve a jovialidade que ele perdeu. Ao mesmo tempo que a gente se pergunta se é tudo físico, palpável e possível de ver a olho a nu temos a certeza de que nada está realmente acontecendo, pelo menos aos olhos da polícia. Como um cadáver pode estar atrás de Victoria?

Ela está quase sozinha, mas pode contar com Lou, seu namorado-marido, para salvar sua família. Desde que Manx fugiu os pesadelos voltaram, assim como as ligações assustadoras de crianças mortas. Não existe paz, nem segurança. Ela vai acreditar tarde demais que Manx está realmente de volta. Como aceitar que o cara que arruinou a sua vida morreu e continua vivo? O FBI o considera uma louca, mas as evidências de que realmente exista um perigo desconhecido deixam todos com uma pulga atrás na orelha.

É um livro que começa com ares de suspense psicológico, evolui para um terror que me fez dormir de luz acesa e caminha para uma thriller policial maravilhoso de roer as unhas. A narrativa é toda em terceira pessoa e não nega ação. Cada capítulo é uma aventura. Torturas, personagens paralelos, assombrações cotidianas e acessos de fúria e descontrole. O homem da Máscara de Gás, que é o nome do ajudante de Manx, rouba a cena em vários momentos. O cara é um lunático-solitário-estuprador-torturador que rima o tempo todo e tem a idade mental de um sofá. Victoria é uma boa protagonista louca. Vai fazer qualquer leitor tremer, seja de ódio, de excitação ou de pavor.

Foram as 614 páginas mais bem temidas da minha vida. Leitura mais que recomendada. Joe Hill é um mestre e não acho necessário comentar que ele é filho do Stephen King.

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