[Resenha] O Planeta dos Macacos - Pierre Boulle

27 de jun de 2015
O Planeta dos Macacos - Pierre Boulle
ISBN-10: 8576572133
Ano: 2015
Páginas: 216
Idioma: português
Editora: Aleph
Classificação: 
Página do livro no Skoob
Em pouco tempo, os desbravadores do espaço descobrem a terrível verdade: nesse mundo, seus pares humanos não passam de bestas selvagens a serviço da espécie dominante... os macacos. Desde as primeiras páginas até o surpreendente final – ainda mais impactante que a famosa cena final do filme de 1968 –, O planeta dos macacos é um romance de tirar o fôlego, temperado com boa dose de sátira. Nele, Boulle revisita algumas das questões mais antigas da humanidade: O que define o homem? O que nos diferencia dos animais? Quem são os verdadeiros inimigos de nossa espécie?
Resenha:
Sempre existiu em mim uma curiosidade em ler o texto original de Pierre Boulle. Apesar do próprio autor não considerar sua obra uma ficção científica, o livro é um clássico do gênero lançado pela primeira vez em 1963, que ganhou as telas dos cinemas cinco anos mais tarde. Sequências audiovisuais vieram, explorando ainda mais esse universo. Recentemente assisti ao remake de 2001 dirigido por Tim Burton e, apesar de ter adorado algumas inovações, prefiro a versão literária original. É tão mais interessante.

O ano é 2500 e viagens interplanetárias são a coisa mais comum que existe. Em um desses passeios pela calmaria sideral,  Jinn e Phyllis avistam uma garrafa perdida no espaço. Dentro encontram um manuscrito. Nele encontram uma espécie de relato. Quando o casal começa a leitura do documento, adentramos em uma realidade nova, bizarra e por que não possível?

O jornalista Ulysses Mérou aceitou acompanhar o cientista Antelle e seu ajudante em uma aventura inédita. Uma viagem nunca feita antes. O trio está a caminho de Betelguese, uma estrela supergigante que possui quatrocentas vezes o tamanho do nosso sol. A bordo da espaçonave são dois anos. Na Terra, o tempo discorrido é o equivalente a sete séculos. A experiência promete mudar o rumo da ciência e é nisso que Mérou acredita. É sua maior chance de ser alguém no cenário mundial - mesmo que muitos anos depois de sua partida. Não é exatamente uma surpresa eles descobrirem que ao redor do astro gigante orbitam planetas. Um em especial chama atenção pela familiaridade: Soror. Quando decidem explorar o local descobrem cachoeiras, florestas, oxigênio e o mais surpreendente: seres humanos.

A semelhança fica apenas no aspecto físico mesmo, esses humanos não possuem intelecto. São bestas selvagens, reduzidas aos instintos mais primitivos possíveis. Ainda na mata o trio se encanta por uma fêmea e a batizam de Nova. Nova e seu bando agem como animais. Admito que antes de começar a leitura estava apreensivo quando a isso. Ler sobre humanos agindo como macacos me dava uma impressão enfadonha. Apesar do ritmo dos primeiros capítulos ser lento, um ataque de fuzil por parte dos macacos dá o ritmo que eu tanto ansiava a toda essa situação. Logo na primeira parte da história nosso pequeno time sofre perdas e acaba enjaulado. Aliás, depois desses momentos introdutivos a trama cresce e fica mais impressionante do que tudo isso que acabei de relatar é.

Todo mundo sabe que são os macacos que mandam nessa história. Mérou foi preso e vive agora em uma jaula, servindo como objeto de estudo e observação para os macacos cientistas. Macacos que conversam ao seu próprio modo, usam roupas e possuem um comportamento idêntico ao nosso. Eles têm a razão, são civilizados e evoluíram. A naturalidade com que é narrada tudo isso é o maior trunfo aqui. Não parece engraçado imaginar os macacos dirigindo carros, andando de aviões ou trabalhando em indústrias, sim, isso tudo acontece, e melhor, enquanto Mérou e todos os outros humanos são submetidos a testes, ganhando um torrão de açúcar como recompensa pelos acertos. Os macacos levam os seres humanos para passear de coleira!

Em determinado momento o jornalista vai se ver acomodado a rotina que lhe foi induzida. Quando percebe que está fugindo de tudo aquilo que acredita, ele resolve chamar a atenção dos macacos para provar sua superioridade em relação aos outros da mesma espécie. Com a ajuda da cientista chimpanzé Zira ele aprende o idioma símio e passa a se destacar no meio. O que acaba gerando problemas e novos riscos. O que exatamente acontece a partir daqui eu prefiro que vocês leiam por conta própria. Garanto que enxergar nos macacos o comportamento humano dá espaço para muitas reflexões.

A cena mais épica de todo o livro, para mim, é Mérou discursando sobre sua origem para um congresso de centenas de orangotangos, chimpanzés e gorilas. O capítulo em que os macacos encontram uma boneca que fala a língua dos humanos durante um processo de escavação de ruínas seculares é outro momento de destaque. Dá início a outro debate interessante: poderiam os macacos serem descendentes dos seres humanos? Isso foge das teorias evolucionistas símias, mas experimentos podem provar o contrário...

A edição da Aleph é uma das mais lindas que tenho na estante. O livro tem um formato pequeno que parece um moleskine. É lindo. No final do livro encontramos uma entrevista dada por Pierre Boulle a Jean Claude Morlot na França e publicado em 1972 no periódico Cinefantastique, um ensaio jornalístico feito pela BBC em agosto de 2014 que conta sobre as experiências do autor durante a Segunda Guerra Mundial, e um texto sobre o especialista em literatura Braulio Tavares sobre o gênero ficção científica e a influência do autor de O Planeta dos Macacos. Vale a pena!

 ENCERRADO

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