[Resenha] Dias Infinitos - Rebecca Maizel

18 de mai de 2015
Dias Infinitos - Rebecca Maizel
Editora: Galera Record
ISBN: 9788501095473
Ano: 2015
Páginas: 384
Classificação: 
Página do livro no Skoob

Cansada de passar seus infinitos dias perseguindo e matando vítimas inocentes, Lenah Beaudonte, uma poderosa vampira da era vitoriana, decide abandonar seu coven de comparsas decadentes e transformar-se em humana. Mas o ritual capaz de transformá-la é extremamente perigoso. É necessário que um vampiro se sacrifique por ela, e não só isso; Lenah precisará passar 100 anos hibernando. Felizmente, Rhode, o grande amor da vida dela, resolve se sacrificar para realizar esse sonho. E a transformação é bem-sucedida. Após 592 anos, Lenah acorda em um corpo humano, na prestigiosa escola particular Wickham, em Massachusetts. Ela está completamente sozinha em outro século e precisa aprender a viver no mundo moderno, como uma adolescente comum. E justamente quando Lenah parece ter se adaptado à nova vida, feito novos amigos e até arrumado um namorado, o passado volta para assombrá-la. Seus ex-companheiros vampiros embarcam em uma caçada mortal para encontrá-la e capturá-la. Agora não só Lenah, mas todos que ama correm perigo. Será que ela conseguirá escapar e salvar os amigos sem revelar seu maior segredo?
Resenha poe Carol Teles:
Quando eu solicitei Dias Infinitos eu tinha plena noção de que iria ler algo sobrenatural, mas de fato não me lembrava para que lado do sobrenatural a história iria pender até que peguei o livro pela primeira vez. A capa e contracapa não revelam muito dele, o que é ótimo de certo modo. Ultimamente ando lendo muitos livros sem saber muito sobre e adorando o resultado disso.

Nesse livro vamos conhecer a história de Lenah, uma vampira transformada no século XV que depois de muitos anos sendo um monstro decide que quer voltar a ser humana. Isso parece meio confuso para nós, que estamos acostumados com o contrário, não é? E por isso me agarrei ao livro e o acabei em duas sentadas, tentando entender qual a ideia da autora para finalizar o que tinha começado.

Não é spoiler que Lenah consegue o que quer. Rhode, o eterno amor de sua vida, consegue achar um ritual antigo que permite que isso seja feito. Claro que tem que ter alguns sacrifícios no caminho, mas superáveis depois de tantos anos de sofrimento por eles.

Então Lenah acorda, depois de um período de hibernação de cem anos, como uma humana em pleno século XXI. Uma adolescente vivendo em um colégio de ricos, com direito a tudo o que um musical High School seria capaz de proporcionar. Um grande amigo engraçado, um bonitão irresistível e mega popular, um trio das garotas mais antipáticas que se possa imaginar como inimigas e todo aquele drama já batido que conhecemos desde sempre.

Parece bobo relatando dessa forma, mas de modo avaliativo nem é tanto assim, porque a autora quis mostrar o normal de um adolescente moderno na cultura deles, e conseguiu isso. O problema é que os adolescentes que os livros modernos trazem costumam parecer um bando de imbecis.

Lenah foi uma vampira por muito tempo, e isso deixa marcas nela. Então mesmo que seja humana, as memórias estão lá, acompanhando e fazendo-a pensar em coisas como o gosto do sangue quando perto de alguém que parece apetitoso ou como são as veias e dentes das pessoas, que mostram o quão fortes e saudáveis elas são. Chega a ser doentio, mas foram momentos de uma realidade bacana para um livro que de modo geral parecia tão clichê.

O livro alterna entre passado e presente, e confesso que gostei de ver muito mais a Lenah cruel do passado (Sim, os vampiros daqui são cruéis) do que a adolescente entediante do presente. E mesmo quando a autora vem com uma virada bacana perto do fim, ela faz com que a menina continue entediante, me fazendo revirar os olhos.

Tirando os vampiros do Coven dela, nenhum dos outros personagens me convenceu; nem o par romântico da menina. Era tudo clichê demais e isso me fez tirar pontos do livro. E só não tirei mais por que o passado dela era muito bom, e a autora deixou algumas características sociológicas da vampira Lenah na adolescente humana Lenah. Isso salvava a personagem até certo ponto, como também o livro.

Não posso negar que a narrativa dela é ágil. Tinha tempo que não lia um livro numa velocidade tão bacana, e ele tem quase 400 páginas. Nem as ideias batidas me fizeram deixar o livro de lado. Rebecca é boa escrevendo, e eu estava curiosa pelo final.

Sobre esse final... Ele poderia ser melhor. Gostei dos últimos dois parágrafos, mas as coisas antes disso ficaram meio sem explicação e batiam de frente com certa ideia que a autora havia inserido lá no início.

Uma história com pontos interessantes, mas que poderiam ter muitos mais. O tipo de autora que você vê potencial lírico na narrativa, mas que talvez tenha escolhido uma linha meio errada para o enredo. É o primeiro de uma série de três, de acordo com o Goodreads. E lendo a sinopse dos outros dois volumes, começo a pensar que ela tem material nas mãos para fazer um puta trabalho com a mitologia vampiresca, ou uma merda total. Esperando para ver.


Quase formada em Letras; quase formada em Biblioteconomia, sou altamente inquieta e tenho problemas em terminar coisas que comecei. Durmo pouco e com milhões de travesseiros. Sou chocólatra e passo parte do meu dia em uma Interprise ou Millenium Falcon porque meu filho vive no espaço. Perco-me na vida. Encontro-me nos livros.

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