[Resenha] As Mentiras de Locke Lamora - Scott Lynch

1 de jul de 2014
As Mentiras de Locke Lamora - Scott Lynch
Editora: Arqueiro
ISBN: 9788580412499
Ano: 2014
Páginas: 464
Classificação: 
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O Espinho é uma figura lendária: um espadachim imbatível, um especialista em roubos vultosos, um fantasma que atravessa paredes. Metade da excêntrica cidade de Camorr acredita que ele seja um defensor dos pobres, enquanto o restante o considera apenas uma invencionice ridícula. Franzino, azarado no amor e sem nenhuma habilidade com a espada, Locke Lamora é o homem por trás do fabuloso Espinho, cujas façanhas alcançaram uma fama indesejada. Ele de fato rouba dos ricos (de quem mais valeria a pena roubar?), mas os pobres não veem nem a cor do dinheiro conquistado com os golpes, que vai todo para os bolsos de Locke e de seus comparsas: os Nobres Vigaristas. O único lar do astuto grupo é o submundo da antiquíssima Camorr, que começa a ser assolado por um misterioso assassino com poder de superar até mesmo o Espinho...
Resenha:
As Mentiras de Locke Lamora se enquadra perfeitamente na classe de livros em que a sinopse não é o suficiente para te convencer a lê-lo. Patrick Rothfuss, autor de O Nome do Vento, um dos meus livros favoritos de todos os tempos, ficou atordoado com a estória de Locke Lamora e o colocou em um top cinco de melhores livros lidos em toda a sua vida. Se já havia um interesse de minha parte em conhecer a estória, esse comentário de peso foi o pontapé que eu precisava para encarar as mais de 450 páginas da obra de estreia de Scott Lynch.

O Aliciador ergueu seu reino no maior cemitério de Camorr. Seu exército era composto por centenas de órfãos ladrões que não dispunham de um teto ou proteção até passar a dividir os túmulos sombrios e de mármore do Morro das Sombras. Locke Lamora aos cinco anos de idade já acumulava uma série de furtos em suas costas. Bem mais que uma questão de sobrevivência, roubar era uma espécie de paixão e vício para Locke. Ele estava sempre tramando planos mirabolantes e complicados para conseguir o maior valor possível, independente de eventuais complicações ou consequências futuras. Quando um desses planos acaba dando errado e Locke viola o Tratado de Paz feito com o chefe supremo Capa Barsavi, o Aliciador não vê outra saída a não ser comprar uma permissão para matá-lo. E de fato Locke Lamora estaria morto se o Aliciador não enxergasse em tudo uma chance de lucrar um pouco mais. O jovem órfão acaba sendo entregue ao Padre Correntes, um sacerdote cego que ganha a vida  enganando todos os cidadãos da cidade.

Os jovens mais indomáveis e com predisposição para o crime são treinados pelo Padre Correntes para no futuro serem os famosos Nobres Vigaristas, um grupo de ladrões falsários que ganham a vida aplicando os maiores golpes da história de Camorr. Fazendo uso de recursos envolvendo disfarces, sotaques, domínio de técnicas de luta e uma lábia bastante afiada, eles são famosos por seus planos perfeitos e ataques misteriosos a nobreza. Eles não mentem, eles criam histórias. Eles são atores. Sangue não é poupado para atingir os resultados esperados. Eles não são simples ladrões, eles são os melhores. A partir do momento em que Locke é entregue ao Padre Correntes, uma série de testes e treinamentos são iniciados. Instruções rígidas e completas englobando todos os aspectos fundamentais para ser um exímio e afiado vigarista. Os Nobres Vigaristas não roubam carteiras, eles roubam cofres. 

A narrativa é feita em terceira pessoa e os capítulos contam com interlúdios que remetem ao passado e narrações no presente. Nos interlúdios vamos acompanhar a infância e detalhes do treinamento de Locke juntamente aos outros Nobres Vigaristas, os gêmeos Caldo e Galdo, o temperamental Jean, a ausente Sabeta e futuramente o pequenino Pulga. Cada um ganha espaço na trama e os talentos pessoais serão explorados e lapidados para beirarem a perfeição. No presente, temos Padre Correntes já morto e Locke Lamora conduzindo os Nobres Vigaristas em mais um golpe arriscado, um golpe ao homem mais poderoso de Camorr. Dom Salvara está prestes a perder toda a sua fortuna para o famoso Espinho... Quando o temido e até certo ponto inacreditável Rei Cinza desafia Capa Barsavi, uma verdadeira guerra é eminente. Um jogo de vinganças instala-se e os Nobre Vigaristas irão enfrentar a maior maré de azar que já viram.

"- Que tipo de faca é esta? - Locke suspendeu uma faca de manteiga arredondada para Correnter poder ver . - Está toda errada. Não dá para matar ninguém com ela." Trecho da página 90

Sinto que estou tendo uma séria dificuldade em resenhar esse livro. De início a narrativa é um tanto que lenta e detalhista ao extremo. Tratando-se de um universo próprio boa parte das páginas são focadas em curiosidades e explicações a respeito dessa quase Idade Média.  A narrativa de Scott é inteligente e ousada, irônica em diversos momentos e repleta de diálogos ágeis. Tem coisa melhor que não perceber as horas passarem ao ler fantasia? Locke Lamora é um personagem incrível, destemido, astuto e por mais que eu tenha adjetivos os outros Nobres Vigaristas conseguem ser tão apaixonantes quanto ele. Elementos mágicos estão presentes então podem ter certeza que a feitiçaria marca presença e surpreende. É diferente e se encaixa ao clima único de Camorr. As reviravoltas do enrendo são inesperadas e prenderão qualquer leitor, quando mergulhei nas mentiras de Lamora não tive chance de ter fôlego até que a última página fosse virada.

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